VENEZUELA UM MÊS DEPOIS
05-02-2026
O mundo inteiro sabe que a Venezuela possui uma das maiores
reservas de combustíveis fósseis do planeta, se não a maior. Tamanha riqueza tornou
aquele país um centro de acumulação de capital somente visto nos países árabes
de hoje em dia.
Um resumo de 40 anos de um país que fora rico, antes de 1076,
e que empobreceu depois desta data. Em 1976, o governo venezuelano de Carlos
Andrés Perez estatizou segmento expressivo da indústria petrolífera
venezuelana, em regime democrático, mantendo certo alinhamento com os EUA, seu,
até então, tradicional parceiro nos negócios da indústria petrolífera. Em 1996,
Hugo Chávez criou o modelo estatista, chamado de bolivariano, no qual as
empresas privadas foram cerceadas, a corrupção e a ineficiência tomaram conta
da economia da Venezuela. Com a morte de Chávez, Nikolas Maduro o sucedeu com
força autoritária ainda maior. Porém, 30 anos de ditadura “chavista”, combinada
com elevadíssima inflação e repressão empobreceram a Venezuela, principalmente
porque esta vendia petróleo para Cuba e a aliados com o socialismo bolivariano,
a preços subsidiados, além de ser hostil ao capital estrangeiro e nacional.
Milhões de venezuelanos deixaram seu país e alguns milhões estão no Brasil. No
dia 03 de janeiro deste ano, o presidente dos EUA ordenou uma missão militar
naquele país, quando morreram 100 pessoas, venezuelanos e soldados cubanos, sem
que morresse um só americano, sequestrou o presidente Maduro e sua esposa, para
serem julgados em Nova York, a pretexto de tráfico de drogas. Em seu lugar colocaram
a vice presidente, Delcy Rodriguez, que passou a ser, interinamente uma
dirigente tutelada. Algumas regras do regime chavista foram mantidas. O
Secretário de Estado, Marco Rubio, em recado imperialista, declarou que se
Delcy não “obedecer” a tutela, ela poderá ter o mesmo destino atual de Maduro.
Um mês depois, uma nova legislação de lá revoga a estatização
de 1976, bem como o estatismo de Chávez, criando formas para as empresas
privadas operarem, independentemente, ao invés de como participantes
minoritários. O plano de Trump é de atrair empresas petrolíferas que saíram
totalmente, ou de forma parcial, tal como a Chevron, para restaurar a indústria
petrolífera venezuelana, outrora, brilhante. A nova lei flexibiliza o pagamento
de royalties e simplifica o pagamento de impostos. Elimina a exclusividade de
exploração e de exploração primária.
Conforme especialistas, a Venezuela necessita de US$150
bilhões para revitalizar sua indústria de petróleo, depois de anos de corrupção
e de má administração.
No fundo, os EUA querem dotar ou contribuir para retornar o modo
de produção capitalista, deixando a ineficiência, a corrupção, a perseguição
política e o velado tráfico de drogas, apurado pelo DEA (sigla em inglês do departamento
dos EUA que combate os traficantes), a pretexto de refazer a Venezuela como um
grande parceiro de comércio global, via sua intervenção e intermediação. Parece
que está conseguindo isto.
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