CONTAS EXPLOSIVAS DO GOVERNO CENTRAL

 

01-08-2026


As contas do governo central são aquelas cujos saldos são apurados mensalmente. Resultados do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência Social. São explosivas porque referidas despesas porque tem subido muito mais rápidas do que as receitas, causando déficits primários. Houve um período extraordinário nas contas públicas, de 16 anos seguidos de superávit primário, de 1998 a 2013, frutos da estabilidade da moeda, advinda do Plano Real. Ocorre que, a partir de 2014, o descontrole e os gastos crescentes levaram ao País a incorrer em quase dez anos consecutivos, em déficits primários, à exceção de 2022, quando houve superávit primário. A teoria comprova que o superávit primário, a ser gerado, deve servir para o pagamento dos juros da dívida, enquanto grande parte dela é rolada. Mas, com déficit primário, parcelas de principal e de juros muitas vezes tem que ser roladas, levando, em consequência, ao crescimento da dívida pública sobre o PIB, em processo semelhante a uma “bola de neve”, cuja dívida bruta do governo geral está em 81,1% do PIB, cerca de R$10,6 trilhões, consoante dados de maio de 2026, divulgados pelo Banco Central. Já a dívida líquida do setor público, segundo também o BC fora de 67,9% no período. Esse conceito desconta reservas internacionais e créditos.

Na análise de projetos, o endividamento não deve comprometer mais de 60% da capacidade de pagamentos. No caso acima, tanto a dívida líquida como a dívida bruta do governo central ultrapassam, em muto, referida capacidade, em situação de risco. Mas, o mercado financeiro diz que o risco do governo é “zero”. Por quê?

Não sem motivo, os juros básicos da economia se aproximaram de 15% ao ano, quase três vezes a taxa de inflação, fenômeno incomum na economia mundial. Em países desenvolvidos os juros básicos estão abaixo da inflação, como no caso do Japão, ou, ligeiramente, acima da inflação como no caso da Europa e dos EUA.

A estatística mais recente demonstra um rombo de mais de R$92 bilhões no primeiro semestre. No semestre do ano passado o déficit primário fora de mais de R$11 bilhões, significativamente muito menor. Somente em junho déficit primário foi de R$48 bilhões. Este ano é de eleições gerais e está prevista um fundo eleitoral, que também poderá ser gasto federal de R$4,9 bilhões, previsto na Lei Orçamentária Anual. Neste terceiro mandato de Lula o governo tem sido gastador em todos os anos e este parece não será diferente. O crescimento econômico tem sido bem reduzido, em relação ao primeiro e segundo mandatos dele e os déficits primários, como a teoria econômica explica, são também inflacionários.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RESUMO COMPARATIVO DO PETROLÃO E DO BANCO MASTER

PONTA DA NOSSA SENHORA DE GUADALUPE

DIVULGADO PISA DE 2025