PESQUISA MENSAL DA CNC
09-08-2026
A pesquisa de julho da
Confederação Nacional do Comércio, Serviços e Turismo (CNC) revelou que o endividamento
atingiu 82% das famílias brasileiras, um recorde preocupante, visto que afeta principalmente
o consumo. Porém, também afeta muito o estado mental dos consumidores. Devido a
isso, a CNC revelou que até o vestuário está sendo tratado como artigos de “luxo”.
Vale dizer, gastos a serem pesados e roupas que duram mais são apreciadas. Em
termos de agregados reais do PIB, o consumo das famílias é maior do que 60% do
PIB. A demanda então tem sido comprimida e, daí, o PIB está também em taxa de
crescimento mais baixo, não só pelos investimentos restritos, além das tarifas
dos EUA às exportações nacionais. Ademais, a compressão ao consumo se verifica
em todo o País, também por muito tempo estarem as taxas de juros na faixa de
14% a 15%, mais outros encargos financeiros. Muito comum é ver nas cidades
brasileiras centros comerciais com lojas fechadas, além da impossibilidade de
concorrência com os atacadões da vida e do comércio eletrônico mais ágil e mais
barato, em termos relativos e, em muitos casos, em termos absolutos.
Convém aqui fazer uma distinção
entre endividamento e inadimplência. Endividamento é quando a família tem
alguma dívida a pagar, mesmo que esteja pagando em dia. Inadimplência é quando
a família deixou de pagar uma obrigação no prazo. Assim, os números da CNC
revelaram 82% de endividamento e em outra oportunidade também revelou que a inadimplência
alcançou mais de 30%.
O endividamento pode ocorrer por
algum tipo de dívida, seja cartão de crédito, empréstimo (em tese dinheiro
tomado para uso qualquer), financiamento (dinheiro tomado com finalidade
específica), carnê, crédito consignado, financiamento de veículo, financiamento
de imóvel e outros débitos que estão registrados no sistema financeiro.
Entretanto, aí não se encontram os débitos com agiotas e assemelhados. Assim,
uma pessoa pode estar endividada, mas adimplente. No caso extremo poderá estar sendo
sufocada ou a caminho do sufoco.
Em resumo, os juros elevados de
dois dígitos e muitas vezes turbinados, conforme é o cartão de crédito, têm
tornado os consumidores mais seletivos e procurado renegociar suas dívidas com
encargos mais baixos.
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