POSSIBILIDADE DE PERDER O GRAU DE INVESTIMENTO

 

06-08-2026


Na linguagem econômica, o grau de investimento é o grau de confiança dos capitais estrangeiros, de banqueiros, de fundos de pensão, de fundos de investimentos, de demais fundos de gestão de riscos, além de investidores de todo o tipo. No popular, é o termômetro de quem tem dinheiro para investir. Quando uma empresa ou um país tem o grau de investimento paga as menores taxas de juros e de risco ou até nulas, que poderiam serem acrescentadas às taxas dos encargos financeiros. Nenhum negócio resiste sem financiamento, no mínimo, do capital de giro. Obviamente, o que o capitalista quer pagar é o menor prêmio pelo risco.

As três agências de risco mais acreditadas classificam, atualmente, o Brasil no limite de obtenção do grau de investimentos. A credenciadora Moody’s avalia o País como Ba1 (há uma escala ampla de letras e números). As duas outras credenciadoras, a Standard & Poor’s e a Fitch Ratings, atribuem a mesma nota de BB. Elas estão baseadas em Nova York, centro financeiro global. Produzem estatísticas econômicas, fazem análises de risco e orientam os investidores. As citadas notas estão no limite, se descer, caiu para perda do referido grau.

A possibilidade de perda do grau de investimento por parte do Brasil é ventilada na literatura especializada, tendo como causa a deterioração crescente da contabilidade pública, na qual, na atual gestão nunca houve superavit primário e o déficit primário vem sendo aprofundado, levando a que a dívida pública sobre o PIB se aproxime de 90%. Situação de alto risco e, que, no passado, já levou ao decreto de moratória, coisa que não está no radar dos governantes há mais de 30 anos. Mas, que já ocorreu no século XX algumas vezes e com consequências catastróficas. Naquele século, a maior parte da dívida era externa, chegando a corresponder a mais de 90% do estoque dela. Atualmente, menos de 10% é de dívida externa um ataque especulativo está fora do radar da equipe econômica. A dívida interna tem sido sempre rolada e os investidores brasileiros a consideram com risco zero, devido à garantia do governo federal. Entretanto, risco é risco é bom atentar-se. Lembrar-se do Plano Collor 1, de 1990, é o de um fantasma que sequestrou os ativos financeiros para devolver, paulatinamente, dois anos depois.  Economia ficou praticamente engessada e entrou em recessão. Como salvaguarda de um outro sequestro da espécie, existe hoje a Emenda Constitucional no. 32 de 2001.

Continua havendo um receio dos brasileiros de sequestro de poupanças. Está no inconsciente coletivo. Porém, a citada Emenda 32 alterou as regras das Medidas Provisórias. Entre outras mudanças, ela proibiu que medidas provisórias tratem de matéria relativa à poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro.

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