BANCO CENTRAL MANTEM ORTODOXIA
09-09-2026
Conforme a ortodoxia econômica, o
comando da política monetária feito pelos Bancos Centrais (BC) pelo mundo, é de
combater a inflação, para estabilizar a economia, via determinação da taxa
básica de juros. Por isso, faz reuniões mensais ou de até 45 em 45 dias. A
decisão do BC tem de ser técnica e por isso deve ter autonomia. Na verdade, se
deixarem, os presidentes dos países querem manipular a taxa básica de juros. Quando
o cenário inflacionário é de inflação acima da meta inflacionária, fixada pelo Conselho
Monetário Nacional, no caso brasileiro e, de forma semelhante, em muitos países.
Como exemplos, tanto no Brasil como nos EUA a inflação está longe do centro da
meta e o BC fixa elevadas taxas de juros, de acordo com as realidades de cada
país. No entanto, os presidentes de ambos os países não cessam de propugnar por
baixar as referidas taxas. Em ambos os casos, elevadas taxas de juros
desestimulam os investimentos e o resultado é baixo PIB. O centro da meta
inflacionária nos EUA é de 2,00%. No Brasil é de 3,00%.
Nos EUA a taxa básica de juros é
definida em faixas de 3,50% e 3,75% ao ano, fixada pelo Federal Reserve (FED).
Mas, lá nos EUA existem cerca de dez bancos centrais, também, de vários
Estados. O FED é baseado em Washington, DC. Os analistas do FED e do mercado
financeiro de lá estão estudando elevar a taxa básica de juros para as faixas
de 3,75% e 4,00%, depois de fortes dados de emprego de agosto, enquanto o
presidente Donald Trump não se cansa de solicitar que a taxa não aumente, pelo
contrário, baixe do patamar em que está. Ele vem pressionando o FED para
reduzir fortemente os juros, argumentando que os Estados Unidos deveriam ter
uma das menores taxas de juros do mundo, visando estimular a produção em larga
escala. O PIB do primeiro trimestre se elevou 2,1% e o PIB do segundo trimestre
aumentou1,5%. A economia está aquecida, ao contrário daqueles que pensavam que,
ao impor tarifas adicionais nas importações, haveria desaquecimento econômico
doméstico.
No Brasil a SELIC está em 14,00%.
O mercado financeiro projeta ao final do ano em 13,75%, havendo a previsão de
um corte de 0,25% na próxima reunião do BC. O governo federal quer juros mais
baixos, porque a SELIC a 14,00% é um freio muito forte sobre o consumo,
investimento e ao próprio crescimento. O PIB do primeiro trimestre cresceu
1,1%. O PIB do segundo trimestre aumentou 0,5%. A previsão do mercado
financeiro para todo o ano é de 1,93%.
O que mais destoa na comparação
entre os dois países é que a taxa básica de juros de lá é bem baixa, de 3,50% e
3,75%, enquanto a daqui é de 14,00%. Nos EUA, até julho, a inflação estava em 3,40%,
enquanto também em 12 meses, até julho a inflação brasileira estava em 4,40%.
Vendo os juros reais, a diferença entre os países é enorme. No Brasil, os juros
reais se aproximam de 9,6%. Nos EUA os juros reais são de aproximadamente de
0,10% e 0,35%. Taxas de juros altas atraem capitais monetários só que as taxas
brasileiras estão em pico muito alto e não pode descer, visto que a dívida
pública tem que ser rolada e alimentada. É explosiva. O Brasil está pagando
cerca de R$1 trilhão somente de juros e isto tem contribuído para que haja
déficits nominais e déficits primários já há bastante tempo. Enfim, comprime
também o crescimento do PIB e este se torna ínfimo, quando precisa crescer
mais. Assim, vê-se que as taxas de juros, nominal e real, assumem o papel da rainha
como se fosse um jogo de xadrez, em prol do progresso. A questão é do impulso
que estas realizam e aí está o busílis da questão.
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