CENÁRIOS FUTUROS PRÓXIMOS
11-09-2026
Principais supostos: separando o cenário econômico dos acontecimentos políticos, que podem afetar as expectativas, mas sem fazer avaliação de candidatos ou partidos; a economia está desacelerando, conforme estatísticas do IBGE de incremento do PIB de 1,1% no primeiro trimestre e de 0,5% no segundo trimestre; a situação fiscal continua sendo o principal problema estrutural.
Melhor cenário econômico seria
uma combinação de desinflação, queda dos juros, crescimento razoável e melhora
fiscal. Assim, a inflação cairia, gradualmente, vindo de mais de 4% e indo em
direção ao centro da meta de 3%. A SELIC começaria uma trajetória mais forte de
queda, podendo chegar a algo próximo de 10% a 11% ao longo de 2027. O PIB, ao
invés de ficar próximo de 2%, indo para 2,5% a 3%. Emprego, permanecendo forte,
sustentando consumo e renda. O dólar, permanecendo relativamente comportado, na
faixa de R$5 a R$5,30. Fiscal, o governo conseguindo o crescimento das despesas
obrigatórias superávits primários crescentes. A relação dívida pública sobre o
PIB, estabilizando e posteriormente caindo. O prêmio de risco brasileiro
diminuindo, os juros longos caindo e havendo investimento privado crescente,
bolsa e crédito com força.
Pior cenário econômico seria
justamente o contrário. Inflação resistente, mais juros elevados, mais
deterioração fiscal e perda de confiança. A sequência poderia ser: o gasto
público continua crescendo. A dívida pública aumenta rapidamente. Investidores
exigem juros maiores pra financiar o governo. O real se desvalorizaria. O dólar
subiria. A desvalorização e eventuais choques do petróleo aumentariam a
inflação e o Banco Central precisaria manter a SELIC muito alta ou até
interromper a queda. O investimento e o consumo enfraqueceriam. O PIB cresceria
pouco ou entraria em recessão. A propósito, a agência de risco Fitch afirmou
ontem que o ritmo atual do ajuste fiscal não seria suficiente para estabilizar
a dívida pública, colocando a credibilidade fiscal como um dos principais
pontos de atenção. Á um agravante externo, indo o petróleo acima de US$100 e
ontem esteve em R$107 por barril.
Assim, o ponto decisivo é o
fiscal. Se houver uma melhora convincente das contas públicas, ela pode
produzir um círculo virtuoso: menor risco, juros futuros menores, dólar mais
estável, inflação menor, SELIC menor, mais investimento e crescimento.
Se, ao contrário, a trajetória
fiscal perder credibilidade, poderia ocorrer o círculo vicioso inverso. O
próprio Tesouro mantém projeções de longo prazo justamente para avaliar a
sustentabilidade da dívida e sua sensibilidade a juros, crescimento e resultado
primário.
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