PROPOSTA DE LARA RESENDE

 

03-11-2026


André Lara Resende é um dos economistas brasileiros mais conhecidos e influentes. Formado pela PUC-Rio, Doutor pelo MIT, nos EUA, que voltou ao Brasil e foi um os formuladores do Plano Real, implantado em 1994. Foi presidente do BNDES em 1998. A sua trajetória intelectual, foi ligado à tradição econômica mais convencional, passando a criticar alguns dos fundamentos da política monetária brasileira. Em 2 de novembro de 2026, publicou artigo intitulado “Eu acuso: uma proposta de eliminar os juros absurdos”. Uma polêmica se instalou.

Resende argumenta que os juros elevados não são apenas consequência do desequilíbrio fiscal brasileiro, mas uma das principais causas desse desequilíbrio. Ele apresentou três argumentos: Primeiro, a conta de juros da dívida pública é excessivamente elevada. Constatou que, em 12 meses recentes, os juros consumiram R$1,1 trilhão, equivalentes a 8,9% do PIB. Segundo, o déficit primário do Brasil seria relativamente pequeno em comparação com o peso dos juros. Para ele, concentrar o ajuste fiscal exclusivamente no corte de despesas primária seria atacar parte do problema. Terceiro, os juros elevados prejudicam os investimentos, encarecem o crédito, reduzem a atividade econômica e eleva o custo de financiamento do próprio governo.

Assim, a proposta de Resende se resume a quatro pontos. 1) Redução da SELIC. Cair gradualmente para aproximadamente 7,5%, em 12 meses. 2) Como regra, ele propõe que a SELIC fique dentro de um intervalo entre a meta de inflação, hoje em 3,0%, e o crescimento nominal potencial da economia, estimado por ele em aproximadamente 5,5%. A redução inicial até 7,5% incluiria uma margem transitória de segurança de dois pontos percentuais. 3) Criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional. Seria um órgão para coordenar metas fiscais e monetárias (já existe isto no BC. Será que este órgão não iria ferir a independência do BC? Ou é para retirá-la? Neste País “a criatividade” vai longe). 4) Planejamento. Estabelecer metas conjuntas para quatro a cinco anos. 5) Câmbio. Utilizar reservas internacionais para atenuar eventual desvalorização do real.  

Ele sustenta ainda que, em determinadas condições, os juros elevados podem até alimentar a inflação, em vez de a reduzir. Esta é a tese do economista americano John Cochrane, chamada de Teoria Fiscal e Nível de Preços.

Em vigor, está a interpretação convencional, que é ortodoxa, seguida pelo BC. A inflação está pressionada. O BC aumenta a SELIC. O crédito fica mais caro. O consumo e os investimentos diminuem. A atividade econômica desacelera. A pressão sobre os preços tende a diminuir. Em consequência, reduzir juros antes de controlar a inflação pode desvalorizar o real, elevar as expectativas inflacionárias e provocar uma nova rodada de aumento de preços.

A polêmica está em curso. Mas, se a SELIC for reduzida pra 7,5%, o que acontecerá com o dólar, inflação e investimentos?

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